Era 12 de julho de 2009, um domingo. Meus amigos organizaram um churrasco com uma partida de futebol na Santa Cecília, em um mezanino, e me convidaram para participar. Disseram que eu poderia levar meus vizinhos e quem mais quisesse. Foi exatamente o que fiz. Convidei meus vizinhos moçambicanos, alguns amigos angolanos e também uma amiga que trabalhava como secretária da paróquia. Assim que a convidei, ela caiu na risada e brincou: "Você só quer que eu vá porque todo mundo é igual a mim e eu vou me dar bem com eles. Sei... Você quer melhorar a sua comunicação para que eles nos aceitem melhor, não é? Tá bom, vamos evangelizar, o que a gente não faz pelos amigos..."
Não era bem isso, mas a observação foi tão espontânea que acabamos rindo sem parar. Até hoje guardo com carinho aquela cena, marcada pela leveza, pelo bom humor e pela simplicidade de quem sabia transformar qualquer conversa em motivo de alegria. E assim seguimos para o encontro. Ao chegarmos, subimos uma escada e, no instante em que coloquei a cabeça para dentro do salão, todos começaram a cantar "Parabéns para você!". Fiquei sem reação. Havia uma comemoração para um amigo, que havia feito aniversário no dia 6, e, para minha surpresa, também para mim. Foi um gesto de carinho que aqueceu meu coração e tornou aquele domingo ainda mais especial.
A tarde transcorreu entre boas conversas, muitas risadas, churrasco e futebol. Quando percebemos, a noite já havia chegado. Voltamos de ônibus e, ao passarmos pela Avenida Rebouças, lembrei-me de que ainda não tinha participado da Santa Missa naquele domingo. Comentei isso com a Cíntia, que imediatamente apertou o botão para descermos." Eu sei onde tem uma Missa agora - disse". Despedimos do pessoal e seguimos caminhando. Pouco depois, pegamos outro ônibus no cruzamento com a Avenida Faria Lima, com destino à Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Itaim Bibi. Sem imaginar, estávamos a caminho de viver uma experiência que ficaria para sempre gravada em minha memória.

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